Não faça dieta, mude seus hábitos!

Alergia Alimentar e Intolerância



            É ruim demais amar um alimento e não poder comê-lo porque ele provoca em você algum tipo de reação alérgica. Mas por que algumas pessoas desenvolvem alergias alimentares e outras não?

A alergia alimentar nada mais é, que uma reação adversa a determinado alimento. O processo alérgico envolve um mecanismo imunológico, com sintomas variados e manifestações clínicas, que podem surgir na pele, como uma coceira, no sistema gastrointestinal, como uma diarreia e por aí vai.


A alergia alimentar resulta de uma resposta exagerada do próprio organismo a uma determinada substância presente nos alimentos.


A alergia alimentar afeta cerca de 2,5% da população adulta mundial [1], e esses dados vêm aumentando com o consumo cada vez maior de alimentos processados.


Intolerância é a mesma coisa que alergia?

            Não. Na alergia ocorre o envolvimento de mecanismos imunológicos (ativação de anticorpos), já a intolerância é uma resposta anormal à um alimento ou aditivo e nesse caso, não há envolvimento de mecanismos imunológicos (liberação de anticorpos, histamina...).

Basicamente, na intolerância, a pessoa até consegue tolerar baixas quantidades daquele alimento ou aditivo, na alergia não!


Intolerância à lactose é uma reação alérgica?

Não. A intolerância à lactose é considerada uma desordem metabólica e acontece em vários graus. No intestino delgado de pessoas saudáveis, existe uma enzima chamada lactase, responsável pela digestão da lactose (açúcar do leite), onde esse açúcar será quebrado e digerido normalmente. A intolerância à lactose, por sua vez é uma condição na qual existe uma deficiência de lactase, quando o intestino deixa de produzir a quantidade necessária dessa enzima, e assim a capacidade de digerir a lactose é comprometida.


          O leite de vaca é uma mistura de mais de 20 componentes. A alergia ao leite está implicada às proteínas presentes em sua composição (caseína, alfa-lactoalbumina e a beta-lactoglobulina). Essa é uma alergia quase que exclusiva de bebês em fase de amamentação e de crianças na primeira infância, onde o uso abusivo do leite de vaca como substituto para o leite materno pode ser um agente contribuinte para o desenvolvimento dessa alergia. [1] 




Quais os fatores que podem determinar uma alergia alimentar?

A grande influência para esses casos é a predisposição genética. Estudos indicam que de 50% a 70% dos pacientes com Alergia Alimentar possuem histórico familiar de alergia. E se o pai e a mãe apresentam alergia, a probabilidade de terem filhos alérgicos aumenta para 75%!




Já ouviu falar em Síndrome de Alergia Oral?
                              
                É uma manifestação de alergia alimentar que ocorre após o contato de determinados alimentos com a boca, podendo causar coceira e inchaço nos lábios e no céu da boca. Ela acomete principalmente pessoas com alergia à polen, sendo os alimentos frequentemente envolvidos: melão, melancia, banana, maçã, pêssego, amêndoa, avelã, dentre outros.



Como tratar a Alergia Alimentar?

    Ainda não existe um remédio específico para prevenir a alergia alimentar. Recebendo o diagnóstico, o médico determinará medicamentos específicos para cada tratamento, sendo super importante evitar novos contatos com o alimento causador da alergia.


Tenho uma alergia alimentar, será que algum dia poderei voltar a comer os alimentos aos quais sou alérgico?

   
É bastante comum crianças de 3 a 5 anos desenvolverem alergia a algum alimento (ovo, leite de vaca, trigo e soja), porém, a partir dos 6 anos, aproximadamente 85% delas perdem a sensibilidade à maioria dos alimentos. Já a sensibilidade ao amendoim, nozes, peixe e camarão raramente desaparecem.

É comprovado cientificamente que o aleitamento materno por no mínimo 6 meses ajuda na construção do sistema imunológico do bebê, aumentando sua imunidade e diminuindo as chances de ele ser um adulto cheio de alergias.
                
Como são muitos fatores envolvidos nos processos alérgicos, vale ressaltar a importância de se consumir cada vez menos alimentos industrializados, principalmente os ultraprocessados, por conterem vários componentes alergênicos.
                
Crianças e adultos com alergia podem ter uma vida absolutamente normal, bastando seguir a dieta recomendada pelo médico/nutricionista e entender o problema em questão para fazer as substituições alimentares adequadas. Para as crianças, o cuidado deve ser redobrado. É importante que a escola, os familiares, os amigos, ou seja, todos que convivem com a criança saibam das restrições alimentares.


Para saber mais acesse:

Referências:


Colesterol, amigo ou vilão?

O colesterol é um tipo de gordura, essencial para o funcionamento do nosso corpo, e o que muitos não sabem é que ele é sintetizado em maior parte pelo fígado. Existe um sistema compensatório, que regula a produção de colesterol em função da ingestão, através da dieta. Em outras palavras, se ingerimos pouco colesterol, há um aumento na produção endógena pelo fígado, acontecendo o contrário quando há alta ingestão pela alimentação (colesterol exógeno) – o colesterol exógeno é ingerido através dos produtos de origem animal.

Aproximadamente 75% do colesterol é produzido pelo nosso organismo para dar conta de diversas funções, como: sintetizar ácidos biliares e hormônios, “formar” células, absorver as vitaminas lipossolúveis A, D, E e K. Enfim, desta maneira, nossa dieta não precisa e nem deve ser rica em colesterol.


    Para o colesterol não é interessante ficar na corrente sanguínea, ele precisa ser levado a todos os tecidos do corpo para que possa exercer suas devidas funções. Esse transporte é feito pelas lipoproteínas, popularmente conhecidas como “bom colesterol – HDL” e “mau colesterol –LDL”. Existem também, outras classes de lipoproteínas, mas não vou me ater nesse momento).

Mas por que o LDL é mau?

O LDL é responsável por carregar a maior parte do colesterol pelo sangue, certa de 70%. O colesterol que não é carreado acaba circulando livremente pelos vasos sanguíneos, o que pode ocasionar sua ligação aos vasos, onde acaba se depositando e oxidando, gerando uma inflamação através das placas de ateroma.



Esse acúmulo pode levar à diminuição do diâmetro do vaso, que pode até chegar a ser obstruído, causando uma doença chamada aterosclerose. É por esse motivo que o LDL é conhecido como “mau-colesterol”.

E o HDL é bom mesmo?

O HDL é responsável por fazer o caminho inverso do LDL: carregar o excesso de colesterol do sangue de volta para o fígado. Lá, esse excesso de colesterol pode ser degradado a ácido biliar, que é então liberado no intestino delgado. Por isso, o HDL é popularmente conhecido como “bom-colesterol”.

É importante frisar que em excesso, o HDL também não é favorável, pois ao transportar muito colesterol de volta para o fígado (que está interligado com a vesícula biliar) pode haver a cristalização do colesterol e a formação de pedra na vesícula. Portanto, é necessário controlar tanto o índice de LDL como também o de HDL.

Quais são as fontes alimentares de colesterol?



Fique atento:  colesterol alto não apresenta sintomas aparentes, a única maneira de saber se os níveis estão alterados é realizar exames de sangue periodicamente!

Pergunta: se óleo de soja, girassol e canola diminuem o colesterol total e aumentam HDL, por que a fritura com esses óleos é prejudicial?

Os óleos quando submetidos à altas temperaturas, como no caso das frituras, sofrem mudanças conformacionais em suas estruturas químicas, que alteram o tipo de saturação, transformando gorduras insaturadas em gorduras saturadas, que causam malefícios para o organismo, principalmente em questões relacionadas à saúde cardiovascular.


Como posso prevenir o aumento do meu colesterol?

- Alimente-se de forma equilibrada;

- Pratique atividade física regularmente: está comprovado cientificamente, que apenas uma dieta equilibrada atrelada à prática regular de atividade física é capaz de alterar os níveis de colesterol sanguíneo;

- Faça exames periodicamente.


Em alguns casos, quando o indivíduo possui um fator genético agravante, a dieta equilibrada pode não ser suficiente para controlar as taxas de colesterol. Portanto, procure seu médico para fazer um acompanhamento mais profundo, com auxílio de medicamentos.


Alguns exemplos que você pode seguir:


Se alimentar de forma saudável, sem exageros, sem alimentos ultraprocessados, praticar sempre atividades físicas e estar em dia com o seu médico, é a receita para se ter uma vida equilibrada, com saúde e sem possíveis problemas com o seu colesterol.

O milagre das dietas DETOX

A palavra DETOX deriva da palavra em inglês Detoxification, que significa desintoxicar, estimular o organismo a eliminar toxinas.

Diariamente nosso organismo é exposto à inúmeras substâncias tóxicas e inflamatórias, como agrotóxicos, corantes artificiais, aditivos químicos, conservantes, refeições excessivas em carne vermelha e gordura, nos quais sobrecarregam o fígado, o principal órgão responsável por metabolizar e tornar possível a eliminação de tais substâncias do organismo.

A eliminação desses componentes ajudará a reduzir a inflamação no revestimento das células intestinais, melhorando suas funções além de uma possível redução nos quadros de dores de cabeça, hidratação da pele, e até mesmo na melhora do humor.


                O corpo se desintoxica diariamente, porém, com o alto consumo de substâncias inflamatórias e alimentos industrializados pode ser válido auxiliar e maximizar esse processo fisiológico com a realização de uma dieta desintoxicante.



Mas será que precisamos mesmo de uma dieta para metabolizar o que o fígado por si só já faria?

           Sim, nós precisamos de uma dieta equilibrada, com todos os nutrientes para que o nosso corpo consiga fazer o tal Detox. Fuja das revistas, sites de moda e beleza que prometem de tudo para você ficar linda e magra em dias. Ser saudável demanda tempo!

Mas do que as pessoas querem se desintoxicar?

           Não adianta querer se entupir de bobagem no final de semana e depois querer fazer uma dieta detox milagrosa.  Tem muita matéria sensacionalista por aí, querendo te entupir de chá diurético, sucos verdes e sopinhas a base de água e caldinho de legumes.

      Desintoxicar vai além dos abusos do final de semana, está mais relacionado a um auxílio ao corpo para entrada de um novo padrão alimentar adequado, balanceado e saudável.

Benefícios da desintoxicação

- Melhorar a digestão e assimilação dos alimentos;

- Reduzir a inflamação intestinal, especialmente no caso de doença de Crohn e síndrome do intestino irritável;

- Eliminação da retenção hídrica;

- Melhorar o processo de eliminação de toxinas;

- Cuidar de problemas de saúde comuns, tais como prisão de ventre, diarreia, gases, inchaço e indigestão;

- Além da desintoxicação ajuda a restabelecer uma boa flora intestinal, que é essencial para a digestão dos alimentos, a prevenção de infecções por parasitas, e da eliminação de resíduos.

Problemas de algumas dietas detox de revista

1.       Dietas líquidas ou pastosas, na maioria das vezes, são nutricionalmente desequilibradas;

2.       A retirada de proteínas por muito tempo pode causar uma perda de massa magra (o que não é bom!);

3.       Efeito laxativo – não é uma coisa saudável;

4.       Perda de peso é diferente de emagrecer. Nessas dietas perde-se muito líquido, massa magra e pouco tecido gorduroso;

5.       Fraqueza: devido à privação de nutrientes, as pessoas se sentem mais fracas, cansadas e sonolentas;

6.       Pouca ingestão de comida de verdade. Bebe-se tanto suco e chá que pode acabar resultando em um quadro de hipoglicemia.


Recomendação

  As dietas detox, são principalmente indicadas para pessoas que não apresentam uma alimentação equilibrada, balanceada, ou seja, rica em produtos industrializados, com alto consumo de carne de vermelha, ricas em gorduras e também para pessoas com comprovação médica de alergias e intolerâncias ao glúten e a lactose, e pessoas obesas.

     A verdadeira dieta detox centra-se em alimentos com baixo teor de gordura, baixo teor de açúcar e alto teor de fibras, como frutas e vegetais, ajudando a reduzir a inflamação nos vasos sanguíneos, ajudando a os níveis de colesterol e lipídios.
                
    Lembre-se, o objetivo da dieta detox é desintoxicar e não perder peso. É uma forma de “abrir” seu organismo para uma alimentação mais saudável e equilibrada.
                
  Se você levou uma vida totalmente desregrada e cheia de produtos industrializados, não será um copinho de suco verde de manhã que resolverá seu problema de intoxicação! Para que haja resultados, a dieta detox deve ser equilibrada em fibras, carboidratos, proteínas e até em gorduras. Para saber mais, procure um profissional nutricionista e fuja dos detox de 2 dias de líquidos e chás diuréticos.

   Emagrecer com saúde requer tempo e determinação. Como pode haver saúde em perder 20 anos de gordura em apenas 2 milagrosos dias?

Fontes
Artigo: Detoxification and Biotransformational Imabalances – Autor: DeAnn Liska et. al – 2006
Artigo 2 aqui

De olho nos rótulos

O rótulo presente nos alimentos é uma forma de comunicação entre os fabricantes e nós, consumidores. Neles estão contidas informações referentes àquele alimento, tais como os ingredientes, as informações nutricionais, data de validade e fabricação, o lote do produto e informações específicas para determinados públicos, como conter ou não glúten, ser diet, dentre outros dados que não podemos desprezar, pois devemos nos preocupar com a qualidade do alimento e não aspectos específicos, como calorias e gorduras.                                                          
               

         Em 21 de março de 2001, foi homologada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) a Resolução RDC n. 40, que tem como principal objetivo, padronizar a declaração nutricional dos alimentos, o que foi um passo importante para a garantia da informação e da clareza presente nas embalagens.   

Mas só pra esclarecer, embalagem e rótulo não são a mesma coisa: 



Mas você sabe ler um rótulo? Caso não saiba (ou pensa que sabe), se liga na explicação a seguir:


Nunca se esqueça que essas informações são geralmente referentes à uma determinada quantidade (ex.: 3 biscoitos, 1 fatia, 2 colheres) e não ao produto todo!
1) Porção: é a quantidade que normalmente uma pessoa saudável, maior de 5 anos e em bom estado nutricional consome, por vez. É importante saber que as quantidades das porções foram definidas por especialistas, levando em consideração os hábitos dos brasileiros e o conceito de alimentação saudável. Isso quer dizer que a definição da porção de um alimento não depende de quanto você come daquele alimento, mas sim do que é recomendado.

Exemplo: 1 porção de pão francês = 50 g
                    1 copo de suco = 200 mL

2) Valores Diários (VD): são as quantidades dos nutrientes que a população brasileira deve consumir para ter uma alimentação saudável. Para cada nutriente temos um valor diferente. Lembrando que as necessidades diárias são individualizadas, dessa forma, essas informações servem como uma referência, variando de pessoa para pessoa.

3) Percentual dos Valores Diários (%VD): é o quanto (em percentual) a porção daquele alimento contribui para atingir todos os valores diários.

4) Lista de ingredientes: os ingredientes devem sempre estar descritos na ordem de maior quantidade para a de menor quantidade. Fique atento ao que você encontra nessa área, e fuja dos alimentos que contém muitas substâncias artificiais, como aroma sintético, corantes artificiais, e nomes que você nem sabe o que significa, como benzoato de sódio, propionato de cálcio, sorbato de potássio...

5) Valor Energético: é a energia produzida pelo nosso corpo proveniente dos carboidratos, das proteínas e das gorduras. Esse valor se encontra na forma de quilocalorias (kcal) e quilojoules (kJ).   1 kcal = 4,2 kJ.

6) Gorduras totais: se referem à soma de todos os tipos de gorduras (monossaturada, poli-insaturada e saturada) encontradas em um alimento, tanto de origem animal quanto de origem vegetal.

  • Gordura saturada: presente em alimentos de origem animal. O consumo deste tipo de gordura deve ser moderado, porque quando consumido em grandes quantidades, pode aumentar o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares.


  • Gorduras trans: é encontrada em grande quantidade em alimentos industrializados como margarinas, cremes vegetais, biscoitos, sorvetes, salgadinhos, dentre outros produtos. O consumo desse tipo de gordura deve ser muito reduzido, pois pode aumentar o risco de desenvolvimento de doenças cardíacas. Não devemos consumir mis de dois gramas de gordura trans por dia!


Fique atento ao que você anda colocando no seu carrinho. Os rótulos nos dizem muitas informações, principalmente se estamos comprando produtos ou alimentos de verdade.

Para ter uma alimentação saudável, não basta contar calorias, é preciso avaliar o que estamos comendo, independente do valor energético. Se informe!

Para saber mais acesse a cartilha da ANVISA aqui.

                                                            

Você conhece o Guia Alimentar?


Guia Alimentar para a População Brasileira, desenvolvido pelo Ministério da Saúde, foi originalmente baseado nos guias alimentares existentes nos Estados Unidos, sendo adaptado para a nossa população, que apresenta características alimentares, culturas e hábitos diferentes dos americanos.

“O guia é um documento oficial que aborda os princípios e as recomendações de uma alimentação adequada e saudável para a população brasileira” – Ministério da Saúde.
                

 A edição mais recente, publicada em 2014, traz uma releitura da antiga edição, criada em 2006 que abordou a famosa pirâmide alimentar e apresentou as primeiras diretrizes alimentares oficiais para a nossa população. A nova edição, se preocupou em abordar as transformações sociais que compactuam diretamente com a saúde e a nutrição da população, apresentando uma abordagem mais clara e objetiva, demonstrando uma preocupação com o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados.
                
        
Guia Alimentar para a População Brasileira – Ed. 2014


           Esses alimentos ultraprocessados, nada mais são que os alimentos prontos para o consumo. São as famosas lasanhas congeladas, sopas de saquinho, biscoitos recheados, sorvetes, enfim, uma gama de alimentos disponíveis nas prateleiras do mercado. O processamento em si não é uma coisa ruim, visto que o arroz branco, feijão, legumes embalados, leite e iogurte, por exemplo, sofrem processamentos mínimos que não são capazes de alterar suas principais características nutricionais. Esse tipo de alimento é considerado como fresco ou minimamente processado. Continuam sendo saudáveis e recomendados. Eles passam apenas por processos de limpeza, remoção de cascas e partes não comestíveis, moagem, congelamento, refrigeração, dentre outros.

                              Fonte                          Fonte                           Fonte


      Já os alimentos ultraprocessados são produtos tentando se tentando se passar por comida, mas não se engane, se no rótulo constar mais de cinco ingredientes que você nunca ouviu falar, fuja!  Esses alimentos devem ser evitados por serem ricos em açúcar, gorduras, sódio, ingredientes industriais* e alta densidade calórica.
         
     Esse alto consumo de calorias provenientes desses alimentos, acabam promovendo a saciedade, porém, não contribuem com as recomendações de vitaminas, minerais e nutrientes básicos que uma refeição saudável (e provavelmente menos calórica) atribuiria. Esse excesso de calorias – ditas vazias – quando não gastas, acabam sendo estocadas em nosso corpo na forma de gordura, o que possivelmente contribuirá para um quadro de sobrepeso e obesidade.

Por isso, o Guia Alimentar apresenta a regra de ouro: Prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a alimentos ultraprocessados!
“Ou seja: opte por água, leite e frutas no lugar de refrigerantes, bebidas lácteas e biscoitos recheados; não troque comida feita na hora (caldos, sopas, saladas, molhos, arroz e feijão, macarronada, refogados de legumes e verduras, farofas, tortas) por produtos que dispensam preparação culinária (sopas “de pacote”, macarrão “instantâneo”, pratos congelados prontos para aquecer, sanduíches, frios e embutidos, maioneses e molhos industrializados, misturas prontas para tortas); e fique com sobremesas caseiras, dispensando as industrializadas.”
         
       O Guia é muito interessante, vale a pena a leitura. Ele aborda cada grupo de alimentos, dá opções saudáveis para o café da manhã, almoço, jantar e pequenas refeições, sendo todas preparações fáceis e acessíveis à todas as camadas da população.

                                                                 Guia Alimentar para a População Brasileira – Ed. 2014


Para terminar, o guia criou dez passos para uma alimentação adequada saudável:

1-   Fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação;

2-  Utilizar óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades ao temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias;

3-   Limitar o consumo de alimentos processados;

4-   Evitar o consumo de alimentos ultraprocessados;

5-  Comer com regularidade e atenção, em ambientes apropriados e, sempre que possível, com companhia;

6-  Fazer compras em locais que ofertem variedades de alimentos in natura ou minimamente processados;

7-   Desenvolver, exercitar e partilhar habilidades culinárias;

8-  Planejar o uso do tempo para dar à alimentação o espaço que ela merece;

9-   Dar preferência, quando fora de casa, a locais que servem refeições feitas na hora (evite fast-food!);

10- Ser crítico quanto a informações, orientações e mensagens sobre alimentação veiculadas em propagandas comerciais.

A princípio, são regras simples, que poderão auxiliar na mudança de hábitos e de escolhas referentes aos alimentos mais saudáveis e nutricionalmente mais ricos.

Coma comida e não produtos. Suas escolhas de hoje refletirão na sua saúde de amanhã. Parece clichê mas é a mais pura verdade. Leia o guia, vale a pena.




*Ingredientes de uso industrial comuns nesses produtos incluem proteínas de soja e do leite, extratos de carnes, substâncias obtidas com o processamento adicional de óleos, gorduras, carboidratos e proteínas, bem como substâncias sintetizadas em laboratório a partir de alimentos e de outras fontes orgânicas como petróleo e carvão. Muitas dessas substâncias sintetizadas atuam como aditivos alimentares cuja função é estender a duração dos alimentos ultraprocessados ou, mais frequentemente, dotá-los de cor, sabor, aroma e textura que os tornem extremamente atraentes. – Fonte: Guia Alimentar para a População Brasileira, 2014.

E para saber mais sobre alimentos ultraprocessados, acesse aqui.

Mitos e tabus Alimentares

Certamente você já ouviu que “carboidrato à noite engorda”, que “manga com leite faz mal” e que “cerveja dá barriga de chopp?”. Mas tudo isso é mito ou tem um fundamento por trás?

Mitos são histórias utilizadas pelos povos antigos para explicar fatos da realidade e fenômenos da natureza, que na época, não eram compreendidos por eles. Ninguém sabe muito bem como um mito começa, mas alguns deles se propagam em nossa cultura até hoje. Já os tabus alimentares, são crenças e superstições relacionadas ao consumo de alguns alimentos ou à combinação deles, que seriam prejudiciais à saúde.

A nutrição é um dos principais alvos dos tabus, mitos e crendices populares, seguindo gerações e desafiando as explicações da ciência. Várias religiões proíbem o consumo de certos tipos de carnes, como os judeus e os muçulmanos que não comem carne de porco. A proibição do consumo de alguns animais pode ser também pelo fato dele ser criado em casa, como bicho de estimação.

O significado da alimentação também muda de acordo com a condição econômica da pessoa. Para a população de baixa renda, em geral, os alimentos são classificados entre os alimentos “fortes” e os “fracos”. Os alimentos fortes são aqueles que sustentam, como o arroz, feijão e carne, enquanto que os fracos são as frutas, verduras e legumes, que servem somente para “tapear a fome”. Quando essas pessoas dividem os alimentos em fortes e fracos, elas não se baseiam no valor nutritivo dos alimentos, mas sim na capacidade que eles têm de matar a fome, como é o caso dos alimentos fortes, que dão a sensação de “barriga cheia”, pois são mais gordurosos e mais difíceis para digerir. Normalmente, eles sabem que as frutas, verduras e legumes são ricos em vitaminas e minerais, mas seu consumo deixa a “sensação” de fome. Isso também é um mito.
               
      Quem já não sentiu medo de uma coisa que tem certeza que é uma mentira, como é o caso da manga com leite. Você alguma vez quis experimentar essa mistura? Se te oferecessem você tomaria?


Para desvendar alguns mitos, vamos começar pelos mais clássicos:


1. Manga com leite faz mal?




Antigamente, na época dos escravos, era proibido comer os frutos das colheitas, sob a pena de castigo. Por isso, os escravos escondiam algumas frutas e as comiam à noite, longe dos olhares do capitão do mato. Após um dia de muito trabalho eles podiam apenas tomar leite para diminuir a fome. Como uma forma de diminuir os “furtos”, os senhores começaram a espalhar o boato de que comer fruta com leite matava. História vai, história vem, e a manga levou a pior, ficando conhecida por causar a morte naqueles que e ingerissem com leite.


2. Carboidrato à noite engorda?




As pessoas acreditam que comer carboidratos, como pães, macarrão e batata à noite engordam, mas este mito se justifica em situações nos quais o consumo desses alimentos seja realmente exagerado. Em qualquer hora do dia, se você se entupir de pizza e biscoito irá engordar! Todos os excessos, sejam eles de carboidrato, proteína ou lipídio irão implicar no aumento de peso, pois estão implicados no alto consumo calórico.

À noite, nosso metabolismo sofre uma leve diminuição, por isso, recomenda-se que no jantar seja consumido uma refeição mais leve, em relação ao almoço. É importante evitar os excessos durante o dia todo, visando não apenas a perda de peso, mas hábitos alimentares mais saudáveis. Cuidado com os modismos.


3.   Banana "prende" o intestino?



Antes do desenvolvimento dos antibióticos, usava-se um preparado de banana verde para combater quadros de diarreia. Na verdade, as frutas como goiaba, manga, banana e caju ainda quando estão verdes, contêm taninos, um composto que confere aquele “aperto” na boca quando comemos essas frutas verdes.


Os taninos podem “prender” um pouco o intestino, porém, durante o amadurecimento das frutas, grande parte desse composto desaparece.


4. Ricota não engorda?





        Todos os alimentos contêm quilocalorias, exceto a água. A ricota não é exceção.
                
         Os carboidratos produzem 4 quilocalorias por grama (kcal/g), as proteínas também, enquanto que as gorduras produzem 9 kcal/g.
               
       A ricota é constituída (basicamente) por proteínas, logo, assim como os carboidratos e as gorduras, será convertida em energia para desempenharmos nossas funções diárias. O que devemos levar em conta não são as quilocalorias, e sim a qualidade nutricional dos alimentos. Nunca 4 kcal de açúcar será igual (nutricionalmente) a 4 kcal de ricota.


5. Cerveja "dá" barriga de Chopp?



             Como dito anteriormente, a única coisa que não contém quilocalorias é a água.
                
             Uma tulipa (290 ml) de cerveja contém em média 122 kcal (podendo variar de marca para marca). O que é uma quantidade razoável, se formos analisar apenas uma tulipa, porém, quem é que vai à um bar para tomar 290 ml de cerveja? Acho que quase ninguém... Se você costuma tomar aquela cervejinha de vez em quando, experimente contar quantos copos de cerveja você consome em uma noite.
         
            Se forem pedir um petisco... ferrou!


O mal não está necessariamente no alimento, mas na quantidade que consumimos, na forma que o preparamos e na frequência que o comemos. Para ter uma vida saudável, equilíbrio é uma palavra fundamental! Pode-se comer de tudo, basta ter a consciência de que o exagero pode fazer mal.